terça-feira, 3 de julho de 2007

Quando 20=0

Viver 20 anos num sítio devia deixar marcas profundas. Devia haver nostalgia em relação ao local. Devia ser difícil deixar a casa definitivamente.


Devia...


Na prática, foi penoso ter de regressar para ir buscar as últimas coisas. Mas pelas razões erradas. Porque o bairro tornou-se numa coisa asquerosa. Porque as pessoas parecem todas escória.


Elitista? Talvez. Mal agradecido? É provável.


Há tempos senti-me indignado (atrever-me-ei a dizer, ultrajado) quando uma velha conhecida disse (convém salientar que a situação era tensa graças a um lapso provocado pela extrema curta aptidão social aqui da besta) que eu queria cortar todos os laços com o passado. Hum... Quem me diria que ela era capaz de me fazer reflectir em algo mais do que os seus seios?


Mas não acho que ela tenha razão. Guardo algumas (poucas) boas memórias e alguns (poucos) muito bons amigos. O resto não deixa saudades. Mesmo.


Acordar ao som do António Sala e da Olga Cardoso?


Ter de subir todos os dias uma escada impregnada de sujidade, onde o bolor é rei?


Dialogar com vizinhos bizarros?


(Podia dar mais uma série de exemplos, mas não me está mesmo a apetecer entrar já num estado depressivo. Talvez mais lá para o fim da semana...)


Portanto, não obrigado. Não mesmo.


As coisas mudaram. Para melhor? Hum... Difícil dizer. Estão diferentes e ainda bem. Valha-me isso.

1 comentário:

  1. O Nojento também tem as suas memórias...
    O complicado estacionamento...
    A porta da rua com o vidro partido...
    O canteiro que nunca serviu para flores, mas como depósito de cartas e pulicidade...
    O medo de ser atingido por um dos assassinos vidros da clarabóia...
    Mas de tudo o que me mete mais impressão... é passar na estrada ao lado do pequeno, minúsculo, aberrante mini-espaço onde se passeava o roby e que na altura parecia ser grande...

    ResponderEliminar

Ponto de situação

 "Não era suficientemente feliz para deixar de me sentir abandonado, mas também não era suficientemente infeliz para querer separar-me...